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Operação Compliance Zero · Supremo Tribunal Federal

Caso Banco Master

O colapso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, desembocou num dos maiores inquéritos financeiros já vistos no STF: fraude bilionária na venda de carteiras ao BRB, reguladores do Banco Central cooptados, uma milícia de intimidação e um núcleo hacker — e um embate inédito entre a Polícia Federal e ministros da Corte. Tudo rastreável ao documento original.

Transferido pelo BRB ao Master (carteiras CCB)~R$ 17 bi

  • 18 escândalos
  • 109 envolvidos
  • 136 conexões
  • 912 peças · 2.419 páginas
  • 53 procedimentos do STF
  • dados públicos
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Conversas de WhatsApp do caso

9 conversas reais reconstruídas dos autos (26 mensagens) — Vorcaro↔Mourão, o contato "Alexandre de Moraes BRASILIA", os contratos. Cada mensagem com a fonte (peça + folha).

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Seguir o dinheiro
~R$ 40 biRombo deixado no FGC
~R$ 17 biTransferido pelo BRB ao Master (carteiras CCB)
R$ 12,2 biCarteiras que o BRB admitiu não conseguir auditar
R$ 10,2 biOp. Poço de Lobato: bens bloqueados
Mapa do dinheiro →
Entenda em 30 segundos
A fraude

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, teria vendido ao BRB carteiras de crédito podres (~R$ 17 bi) e deixado um rombo de ~R$ 40 bi no Fundo Garantidor. Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero (nov/2025).

A máquina de poder

Para se proteger, a PF aponta uma 'rede de influência e monitoramento': reguladores do Banco Central cooptados, uma milícia de intimidação a funcionários e jornalistas, e um núcleo hacker.

O fio Moraes (sub judice)

O relatório da PF sobre o celular de Vorcaro descreve um contato salvo como 'Alexandre de Moraes BRASILIA' (compartilhado por Fábio Faria) e contratos milionários com o escritório Barci de Moraes. A identificação do titular é matéria em julgamento — o PGR pediu a anulação do relatório.

Tudo público, tudo com fonte

O STF derrubou o sigilo (set/2026). Aqui cada afirmação leva ao documento original; nada é condenação — é investigação em curso.

Quem é quem

As pessoas e entidades no centro do caso. Clique para ver o papel de cada uma, as conexões e as provas.

Fotos: Wikimedia Commons / retratos oficiais (Agência Brasil, STF, TSE, Agência Senado). Quem não tem foto verificada aparece com iniciais.

Os 18 escândalos

Cada frente da investigação, separada e documentada. Clique para ver os envolvidos, os valores, as mensagens e as peças-fonte.

  1. E1

    Fraude das carteiras de crédito ao BRB

    ~R$ 17 bi

    O Master fabricou CCBs sem lastro e as vendeu ao BRB (Banco de Brasília), que transferiu cerca de R$ 17 bi — incluindo R$ 12,2 bi em carteiras que o próprio banco público admitiu não conseguir auditar. A estruturação passou pela shell Tirreno, controlada pela Cartos.

  2. E2

    Esquema FIDC / 'laranjas'

    bloqueio R$ 5,775 bi

    Cotista único de FIDCs, o Master canalizava recursos de CDBs para Notas Comerciais de empresas ligadas e 'laranjas' (Clínica Mais Médicos: R$ 361 mi em NCs com receita anual de R$ 54 mil; Hospital da Criança São José: R$ 372 mi; FIDC Jeitto: R$ 1,07 bi; FIDC City 02: R$ 1,48 bi). Nelson Tanure aparece como sócio oculto. Limite global de bloqueio: R$ 5,775 bi.

  3. E3

    Reguladores do Banco Central cooptados

    propina via contrato de fachada

    Os chefes do DESUP/BACEN Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana atuavam como 'consultores informais' de Vorcaro e recebiam propina, lavada via contrato de consultoria de fachada da Varajo, assinado por Leonardo Palhares. Ambos foram afastados dos cargos e receberam tornozeleira eletrônica.

  4. E4

    'A Turma': milícia de intimidação

    ~R$ 1 mi/mês

    Braço presencial e policial-informacional: ameaças, coerção, vigilância ilegal e acesso indevido a sistemas do governo (e-Pol). Líder operacional: Marilson Roseno (PF aposentado), com Manoel Mendes, Anderson Wander (PF na ativa), Sebastião Monteiro e a Delegada Valéria Vieira. Coordenação de Felipe Mourão, financiamento de ~R$ 1 mi/mês via Fabiano Zettel. Alvos incluíram o jornalista Lauro Jardim e funcionários (episódio Solar I / Angra dos Reis).

  5. E5

    'Os Meninos': núcleo hacker

    ~R$ 35 mil/mês (David)

    Braço cibernético do grupo: invasões, derrubada de perfis de críticos e monitoramento telemático ilegal. Líder David Henrique Alves (~R$ 35 mil/mês via BIPE Software), com Victor Sedlmaier, Rodrigo Pimenta e apoio logístico de Katherine Teles. Também gerido por Felipe Mourão.

  6. E6

    Câmbio suspeito de lavagem para o PCC

    ~R$ 2,8 bi (alegado)

    O Master teria movimentado cerca de R$ 2,8 bi em operações de câmbio para empresa suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Alegação citada em requerimento de CPI dentro do Inq 5026 — tratar como alegado.

  7. E7

    Rombo de ~R$ 40 bi no FGC

    ~R$ 40 bi

    Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos 'sangrava' para cobrir o rombo de ~R$ 40 bi deixado pelo Master, Vorcaro ocultava mais de R$ 2 bi — R$ 2,245 bi na conta do pai Henrique na CBSF/REAG.

  8. E8

    Flávio Bolsonaro / filme 'Dark Horse'

    US$ 12,33 mi (de US$ 24 mi)

    Repasse de Vorcaro a Flávio Bolsonaro para o filme 'Dark Horse': contrato de US$ 24 mi em 14 parcelas achado no celular de Vorcaro; a PF rastreou US$ 12,33 mi enviados pela Entre Investimentos ao fundo Havengate (EUA) em 7 remessas entre fev e set/2025 (R$ 134 mi pedidos, segundo o áudio). Em jul/2026 o ministro André Mendonça abriu inquérito contra Flávio por lavagem, evasão de divisas e corrupção (sob sigilo; tornado público quando Fachin levantou o sigilo de parte do caso, 10-11/09/2026). A PF chama Flávio de "interlocutor direto" de Vorcaro e suspeita que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão dos recursos no exterior; a PGR pediu o levantamento de projetos de Flávio e Mário Frias de interesse do Master. Entre 13 e 16/11/2025 Flávio tentou falar com Vorcaro todos os dias ("Irmão, estou e estarei contigo sempre… Só preciso que me dê uma luz!"); Vorcaro foi preso em 17/11. Flávio diz que foi "patrocínio privado".

  9. E9

    Monitoramento da PF a ministros ('1984')

    6 relatórios de inteligência

    A PF teria produzido 6 'relatórios de inteligência' (ago/2026) monitorando o próprio Min. Mendonça e o AGU Jorge Messias, com juízo correicional sobre decisões e vazamento de dados sigilosos; os relatórios teriam chegado ao Min. Alexandre de Moraes, que levantou o sigilo no Inq 4781. Em 08/09/2026 Mendonça afastou o DG-PF Andrei Passos e o DIP Leandro Almada, citando Orwell ('1984'). Gilmar Mendes pediu vista; autos remetidos à Presidência (Pet 16.704) — em aberto. Posição contestada.

  10. E10

    Avocação do foro ao STF (RCL 88.121)

    avocação da 10ª Vara/DF

    Reclamação ajuizada por Vorcaro (via Dep. Bacelar Filho) que suspendeu a investigação na 10ª Vara/DF e puxou toda a matéria Compliance Zero para o STF, mandando o BACEN cumprir apenas ordens do STF.

  11. E11

    Contato 'Alexandre de Moraes BRASILIA' e os contratos Barci de Moraes

    R$ 3 mi/mês

    Relatório da PF (PET 16.662) sobre o celular de Vorcaro: Fábio Faria compartilha um contato salvo como 'Alexandre de Moraes BRASILIA'; o escritório Barci de Moraes (Viviane de Moraes) firma contrato de R$ 3 mi/mês com o Banco Master e de R$ 50 mi com a Viking (pago em parte com avião e helicóptero). A identificação do titular do contato é matéria em julgamento no STF.

  12. E12

    A Origem: o veto que virou aval

    R$ 111 mi

    Em 13/02/2019 o Banco Central, sob Ilan Goldfajn, VETOU por unanimidade a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro (Voto BCB 20/2019) — origem dos recursos e capacidade econômica não comprovadas. Oito meses depois, já sob Roberto Campos Neto (indicado por Paulo Guedes), o mesmo colegiado APROVOU (Voto BCB 218/2019, 14/10/2019). Entre um voto e outro, ~R$111 mi transitaram por empresas da família Vorcaro para aparentar capacidade ao BC (em tese, PF/CVM). O Máxima virou Banco Master em 2021 e cresceu de ~R$200mi para R$4,7bi de patrimônio.

  13. E13

    O cofre dos servidores: os fundos de previdência

    R$ 1,86 bi

    Ao menos 18 regimes próprios de previdência (RPPS) de estados e municípios aplicaram ~R$1,86 bi em letras financeiras do Master a até 140% do CDI, SEM garantia do FGC. O Rioprevidência (RJ) liderou com R$970mi. A apuração (STF/PF) aponta 'sincronismo' entre os aportes e a articulação política (em tese). Fundos de pensão fechados (Postalis, Previ, Funcef) tiveram exposição ZERO — foi dinheiro de servidores públicos.

  14. E14

    O filho do ministro

    R$ 18 mi → R$ 281,6 mil

    O fio que liga o ministro do STF Kássio Nunes Marques ao dinheiro do Banco Master e da JBS através do escritório do filho, Kevin de Carvalho Marques. Entre agosto/2024 e julho/2025 o Master (R$ 6,6 mi) e a JBS (R$ 11,3 mi) transferiram R$ 18 mi à consultoria Consult Inteligência Tributária, que declarava faturamento próprio de apenas ~R$ 25,5 mil; o COAF classificou a movimentação como atípica e sugeriu uso da empresa como intermediária. Do caixa da Consult saíram R$ 281,6 mil, em 11 transferências, para o escritório de Kevin. Kevin é sócio de 70% do IPGT, cujo sócio de 30% é filho do dono da Consult, no mesmo endereço em Alphaville (o laço societário é com o IPGT, não diretamente com a Consult). No mesmo período, Nunes Marques era relator no STF da disputa J&F (JBS) x Paper Excellence pela Eldorado e decidiu a favor do lado J&F. Documentos da CVM à CPI apontam R$ 27,7 mi em fundos acumulados por Kevin em dois anos, sem origem revelada. EM TESE / RIGOR: não há rastreio contábil fim-a-fim provando que os R$ 281,6 mil eram os mesmos reais do Master/JBS; Kevin e o gabinete negam irregularidade e não há prova de que o ministro soubesse dos negócios do filho.

  15. E15

    A Refit e o cofre do Master

    R$ 1,4 bi

    A Refit (ex-Refinaria de Manguinhos), controlada por Ricardo Magro — apontado como maior sonegador fiscal do país (dívidas de ~R$ 26 bi a R$ 52 bi), foragido na Interpol e radicado em Miami —, movimentou R$ 1,4 bilhão com o Banco Master (out/2024–nov/2025, quatro alertas do COAF), mantinha conta no banco e alega ter sofrido calote de R$ 53,1 mi em operações de câmbio. Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kássio, defende a Refit no TRF-1 (tribunal onde o pai foi desembargador) ao lado de Jorge Berdasco, sócio do escritório de Magro, e obteve liminar contra a interdição da refinaria pela ANP. A Operação Poço de Lobato (nov/2025) bloqueou R$ 10,2 bi do grupo, num esquema descrito como do porto ao posto sem pagar imposto, com suspeita investigativa (em tese) de abastecer postos ligados ao PCC. A Lei Ricardo Magro, sancionada por Cláudio Castro (out/2025), previa parcelamento com corte de até 95% da dívida. A Justiça do RJ decretou a falência do Grupo Refit em 31/08/2026.

  16. E16

    Ciro Nogueira: a mesada e a "Emenda Master"

    R$ 300–500 mil/mês

    A PF (Operação Compliance Zero, 5ª fase, maio/2026) aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebia mesadas de R$ 300 mil a R$ 500 mil por mês ordenadas por Daniel Vorcaro, sob apuração de corrupção passiva, lavagem e tráfico de influência. Em troca, teria atuado pelos interesses do banqueiro — inclusive a "Emenda Master" (ampliação da cobertura do FGC para R$ 1 milhão), redigida pela equipe do Master. Empresa ligada ao senador recebeu R$ 14,2 milhões de fundo atrelado à Refit (O Tempo/PF). Ciro é amigo do ministro Kássio Nunes Marques — base da arguição de suspeição na CPMI, negada por Fachin. EM TESE: os pagamentos são tratados como "em tese" pela PF; Ciro nega irregularidades.

  17. E17

    Willer Tomaz e o jato PP-NLR: Flávio no avião dividido com a empresa de Vorcaro

    R$ 7,6 mi ao Master

    Em 19/01/2025, Flávio Bolsonaro, a mulher, as duas filhas e o advogado Willer Tomaz voaram de Fort Lauderdale (EUA) a Brasília no Legacy 650 PP-NLR (piauí, 23-24/09/2026, a partir de material da PF). O avião pertence à Fraction 024, dividida em três cotas: Willer Tomaz (via Alcazar Holdings, Ilha da Madeira), Laércio Cosentino (TOTVS) e a Prime You — empresa de jatos da qual Daniel Vorcaro foi sócio de 2021 a set/2025, que comprou sua cota no fim de 2024 e operava a aeronave. Cada cota valia US$ 5,5 mi (relatório PF, mai/2025). Comunicação do Bradesco ao Coaf: entre set/2024 e set/2025 a Fraction 024 transferiu R$ 7,6 mi ao Banco Master em 36 operações. O mesmo jato levou Alexandre de Moraes e Viviane Barci em ago/2025. Na véspera do voo, Tomaz sacou US$ 236 mil em espécie no Seminole Hard Rock, acompanhado de Flávio (O Globo). Em 01/05/2025, seis dias após remessa de US$ 3,33 mi ao fundo Havengate (Dark Horse), Flávio e Tomaz pousaram em Fort Lauderdale ~20 min antes do jato de Vorcaro — sem prova de encontro. Em jul/2026 Flávio dissera "Nunca entrei em avião do Vorcaro"; depois: "Ainda bem que na época o avião era de Willer". Tomaz diz ter custeado o voo com horas da sua cota, não conhecer Vorcaro e estar em litígio com a Prime You desde abr/2026.

  18. E18

    O amigo de Flávio: apartamento de Zettel, mansão da Prime You e R$ 13 bi em apostas

    R$ 13 bi em giro de apostas

    Willer Tomaz, advogado em Brasília e "amigo" declarado de Flávio Bolsonaro, comprou em 10/02/2026, por R$ 3,5 mi, o apartamento que Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) havia pago R$ 5,5 mi em abr/2025 — deságio de R$ 2 mi; a escritura foi registrada em 04/03/2026, dia em que Zettel foi preso. Flávio usou o imóvel como base de campanha em ago/2026 (piauí). Em fev/2026 Flávio fez o aniversário da filha numa mansão em Angra administrada pela Prime You, com cotas de Tomaz e de Maurício Quadrado (sócio de Vorcaro). Na PF: alvo de busca na Operação Sem Desconto (fraude do INSS, 04/08/2026, autorizada por André Mendonça), apontado como "hub financeiro, patrimonial e logístico" do senador Weverton Rocha; e apuração de possível lavagem em apostas (O Globo). Autos da ação dele contra a Blaze (alega ludopatia, pede R$ 20 mi): R$ 4,8 bi em ganhos e R$ 4,96 bi em perdas em 2025, ~R$ 13 bi de giro até jun/2026, R$ 300 mi depositados, prejuízo de R$ 163 mi (R$ 188,5 mi pela defesa). ATENÇÃO: R$ 13 bi é giro de apostas, não dinheiro lavado. Recebeu R$ 67,8 mi em lucros (2024) da Embrasis, controladora da RioPag, que tinha a exclusividade dos pagamentos das bets da Loterj (gestão Cláudio Castro). Tomaz nega irregularidades, nega ser sócio da RioPag e diz não conhecer Zettel nem Vorcaro.

Todas as alegações estão em fase de investigação (cognição sumária) — não há condenação. Nomes aparecem porque constam no corpo das decisões públicas do STF.