Todos os dados apresentados são públicos e provenientes de portais de transparência governamentais. Este projeto não faz acusações — apresenta dados para fiscalização cidadã.

Caso Banco Master · A origem do dinheiro

A Máquina dos Precatórios

Como o Banco Master comprava dívidas judiciais por preço de banana, remarcava no balanço, transformava em CDB com selo público e multiplicava — até virar um rombo de R$51,8 bilhões. Siga o dinheiro, estágio por estágio.

R$180 mi → R$23,6 bi~131×

Mural de investigação: o rastro do dinheiro do Banco Master, do banco aos precatórios, ao cofre e ao Supremo.
O rastro do dinheiro — do banco aos precatórios, ao cofre, ao Supremo
A lousa da investigação

Siga o dinheiro

Como R$180 milhões viraram R$23,6 bilhões — passo a passo, do começo ao rombo.

Estágio 01 · a origem

Compra barata

Face R$2,2 bi → paga R$180 mi
compra por menos de 20% do valor!
em tese · PFNovaCana
Estágio 02 · o truque

Remarca no balanço

R$136,5 mi → R$320 mi (+235%)
o mesmo papel, revendido pra si mesmo em 5 dias → R$8,7 bi "no papel"
em tese · PFNovaCana
Estágio 03 · o combustível

Capta com o selo do FGC

~R$18 bi em CDB · 120% do CDI
dinheiro do varejo, garantido pelo Estado
Estágio 04 · a bolha

Multiplica (alavancagem)

R$13,3 bi → R$23,6 bi (+77%)
o banco incha sem capital novo
fato + análiseGazeta do Povo
Fev/2026 · o estouro

Quebra

rombo de R$51,8 bi
a conta chega — e alguém tem que pagar
O resgate · a blindagem

Emenda Ciro Nogueira + STF

FGC: R$250 mil → R$1 milhão
socorrer os grandes • 5 ministros ligados ao Vorcaro • STP 976 = precatório
em tese · PFAgência Pública
No fim, quem paga a conta? O povo — via spread, tarifas e risco de socorro público.

O dossiê — cada estágio com a prova

Estágio 01

Compra barata

O que

O Master comprou o precatório da usina Santa Tereza (grupo João Santos) — uma dívida da União com face de R$2,2 bilhões — por apenas R$180 milhões, menos de 20%. A cessão passou fatiada por 6 fundos (Amazonita, Luna, Noruega, Atenas, Dublin, Horizon).

Por que é fraude

Parte do dinheiro (R$32 mi para 3 empresas suíças + R$75 mi para a família) foi para o exterior — apurado como lavagem. O grupo já devia à União e não podia repassar o ativo.

R$180 mi
pago por um título de face R$2,2 bi (<20%)
escala do dinheiro na máquina →
Em tese · PFfonte: NovaCana
Estágio 02

Remarca — o truque contábil

o mesmo papel entra…
O que

Um fundo ligado (Amazonita) comprou um precatório por R$136,5 mi e, 5 dias depois, revendeu ao próprio Master por R$320 mi — alta de 235% numa semana. No balanço de dez/2024, o banco carregava R$8,7 bilhões em precatórios registrados a valor cheio.

Por que é fraude

Marca-se o ativo assumindo recebimento integral e futuro — como se já fosse dinheiro no caixa. O lucro é de papel. A auto-negociação entre partes ligadas inflou artificialmente o patrimônio.

+235%
R$136,5 mi → R$320 mi em 5 dias (auto-negociação)
R$8,7 bi em precatórios no balanço
Em tese · PF (Op. Compliance Zero)Balanço: fatofonte: NovaCana
Estágio 03

Capta com selo público — o FGC

…vira lastro de captação
O que

Com o balanço inflado, o Master emitia CDBs a até 120% do CDI (BTG e XP pagavam 101–104%), vendidos no varejo com a garantia do FGC até R$250 mil por CPF. Captou cerca de R$18 bilhões.

Por que é grave

O selo do FGC faz o investidor não olhar o risco — a taxa gorda atrai, a garantia tranquiliza. O dinheiro do varejo banca ativos ilíquidos e superavaliados.

~R$18 bi
captados em CDB com garantia FGC · até 120% CDI
dinheiro do varejo dentro da máquina
Estágio 04

Multiplica — a alavancagem

…e infla o próprio tamanho do banco
O que

Os ativos saltaram de R$13,3 bi (2022) para R$23,6 bi (2024) — +77% em dois anos, sem aumento proporcional de capital próprio. Uma janela regulatória (Res. BCB 346/23 adiada pela 448/24) deixou pesar menos risco nos precatórios em 2024.

Por que é bomba

O próprio patrimônio (R$4,7 bi) estava inflado pelos precatórios remarcados. Ou seja: alavancagem sobre um capital em parte fictício. Basileia parecia saudável (11,51%) só porque o risco estava subestimado.

+77%
R$13,3 bi → R$23,6 bi em ativos (2 anos, sem capital novo)
o banco inteiro, inflado
Fato + análisefonte: Gazeta do Povo
O desfecho

O Resgate

Quando o Master quebrou (fev/2026, rombo de R$51,8 bilhões), o plano era transferir a conta — e blindar quem estava dentro.

A emenda

Emenda Master (Ciro Nogueira)

Projeto para elevar a garantia do FGC de R$250 mil para R$1 milhão. Segundo a PF, o texto foi escrito pela assessoria do Master e entregue na casa do senador, apresentado como obra própria.

propina em tese: R$300–500 mil/mês
Quem seria salvo

Os grandes acima do teto

O limite de R$250 mil protege o pequeno. Subir para R$1 mi resgataria os graúdos — fundos de pensão de servidores (RPPS), tesourarias, family offices — que apostaram alto no Master.

~R$1,9 bi em 18 fundos de previdência
No Supremo

5 ministros ligados ao Vorcaro

A PF apura elos de Moraes, Toffoli, Kássio, Gilmar e Fux. O relator do caso, André Mendonça, admitiu ter se reunido com Vorcaro sobre a STP 976 — um processo de precatórios.

o círculo se fecha na Corte
No fim, quem paga a conta?

O FGC não é dinheiro de imposto — é bancado pelos próprios bancos. Mas a conta chega ao povo por outro cano: o prejuízo é socializado no sistema e repassado via spread e tarifas mais altas; e se o FGC esgota, cresce a pressão por socorro do Tesouro — aí sim, dinheiro público. A emenda empurrava o sistema exatamente para essa beira.

Nota de rigor

Decisões documentadas (balanços, resoluções, a existência do projeto de lei) são fato. Desvios, propina, auto-negociação e os elos no STF estão em apuração pela Polícia Federal, TCU e CGU — tratados aqui como alegação (“em tese”), com a fonte de cada afirmação.

Fontes